terça-feira, 1 de dezembro de 2009
que pode ser de pedra, mas quebra.
- Gente que é gente não sabe o que nóis passa. Não sabe. Não compreende o que nóis quer. Ó se esse mundo fosse de graça! Teríamos o que bem quiser...
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
todo o sentimento
E que venha 2009, cheio de risos, choros, saudades, estresses, vestibular, abraços, viagens, risos, choros e saudades.
Não vou falar de 2008, foi um ano deveras chato e comprido, tão comprido que teve 366 dias. ô cara implicante. Só falo de 2009, e que venha 2009, e que venha essa saudade.
toda a felicidade.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
mudança no script
A partir daquele dia, não haveria mais dia para ela, não haveria mais sentido para ele. Enquanto a morte lhe molhava tentando lhe dizer: " Levante-se, sua história não acaba aqui!" O líquido amarelado na garganta descia queimando. "Da minha história só sei eu!" E a cada cerveja tomada ele ficava mais sóbrio, mais sério.
O céu estava tão cheio de estrelas como ele nunca havia visto, ou seria seus olhos embaçados que via as luzes dos prédios, carros e postes pequenas lá da cobertura? Lá só o vento lhe dava os conselhos certos e em súbita conversa muda as palavras soavam só: " O que te prende aqui? O que te faz continuar?". Daria um passo a frente, para eternidade. Não podia esperar mais... E que não esperasse!
Naqueles olhos de piscina cristalizado, vidrado, mas não parado, ele ainda pode ver a alma acolhedora que não partira. No peito dela a flor já secara. E outra flor se formava lá embaixo ao redor de um corpo sem valor, e ao redor dele, vários corpos anônimos se amontoavam para ver o fim do espetáculo. Atrasados, não viram a apresentação toda, mas suas caras de espanto demostravam que se vissem a história inteira teriam gostado.
- Tão novo o rapaz...
domingo, 30 de novembro de 2008
Kaiak Ventura
Às vezes, é preciso tropeçar para saber onde está o seu alicerce. Às vezes, o passado é uma lembrança tão linda que seria um erro confudi-lo com o presente ou futuro, e o mais sensato é guardá-lo. Às vezes, somente às vezes, o sempre nem sempre é sempre e a surpresa nos bate na porta, e não estávamos a esperando, paralisamos. Poderia ter falado algo? Poderia ter sido diferente?
Ela foi andando para casa pensando naquele rapaz de olhos de vagalume, tão encantador. Teria sido o contidiano que a cegou ou teria sido aquele cappuccino? Talvez ela tenha se arrependido, talvez ela tenha ficado tranqüila. O que se sabe é que até hoje ela treme ao sentir o cheiro do kaiak ventura.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
o homem que lia o jornal de ontem
Quem passasse na Rua da Soledade, na frente da casa 53 pela manhã, com certeza viria dois jornais jogados no tapete da frente. Josefim tinha uns 30 anos, apesar dos cabelos grisalhos.Não saia de casa nem para comprar comida: mensalmente vinha um entregador com uma pequena sacola e deixava na frente de sua casa as comidas de necessidade básica, e por um buraquinho na porta ele passava as mãos magras com o dinheiro. Era de poucas palavras e considerado um 'louco-esquesito' pela vizinhança.
Sua fama vinha pela fato de sempre ler os jornais do dia anterior, passando a noite toda concentrado naquelas notícias deliciosamente atrasadas. Em uma de suas aparições pela rua para apanhar o jornal que o " pirralho-jornaleiro" havia posto longe de seu portão, um garoto lhe abordou:
- Seu Josefim, por que o senhor ler sempre o jornal de ontem?
- Por que você ler o jornal do dia?
- Pra saber as notícias do dia.
- Eu leio o jornal de ontem para saber as notícias de ontem, ora pois!
E entrava sem mais conversa. A cada dia a vizinhança se intrigava mais com os seus mistérios. Ele não tinha telefone, tv ou rádio! Seu único meio de comunicação era o tal jornal ultrapassado. Ele acreditava que as notícias velhas eram mais atraentes, pois podia rir delas, chorar delas ou até mesmo xingá-las e depois ler todas as desgraças, ir dormir tranqüilo. Afinal, as notícias já haviam passado e nada pudia se fazer para mudar. E assim passava seus dias sozinhos ansiando o jornal para pegá-lo um dia depois.
Certa vez, viu no jornal uma notícia de um homem que lia jornais. Surpresa. Ele havia morrido segundo a notícia. Com letras grandes e vermelhas o jornal falava de seu assassinato, quando fora pegar o jornal havia sido abordado por um moleque ladrão e morto pelo mesmo. Inquietou-se.
Sentado em sua poltrona de sempre, pensava no acontecido. Ele havia morrido? Como nunca havia percebido? A vida as vezes nos prega peças e em pleno dia se morre. O jornal caiu de sua mão.Levantou-se, foi até a janela, riu de sua própria vida, uma gargalhada leve de descanço. Foi até o guarda-roupa e pegou a arma, sentou-se na poltrona. A luz vermelha do pôr-do-sol o tentava, lhe mostrando o que fazer. E aos poucos o jornal de ontem no chão era tomado por um líquido da mesma cor do céu, o céu que trazia notícias novas.
sábado, 17 de maio de 2008
O bom de conhecer pessoas novas é que elas não sabem dos nossos defeitos. O bom de preservar as antigas, é que mesmo com defeitos, elas se prendem em nossas qualidades. O bom de terminar amizades, é saber que tudo um dia acaba, e nos dá noção de realidade. Ao saber que nem tudo que achamos é. O bom de ter inimigos é que eles só vêem nossos defeitos, e se vêem nossas qualidades, as transformam em defeitos. Sendo assim é realmente bom ter inimigos? Tudo depende do ponto de vista.
No final das contas, o bom mesmo é ser humano e acima de tudo ser. Não pegar idéias dos outros, afinal de contas: se você sempre não for você, quando descobrirem quem é você, não passará de ninguém.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
O tempo passa.
Os humanos correm. As pessoas esquecem. As pessoas me esquecem. Quando a gente se encontrar na rua e eu puxar um assunto, mesmo que não lembre do meu rosto ou nome, converse como se fôssemos irmãos, que não precisam de nomes para se chamarem.
Ria dos velhos tempos esquecidos, entristeça com a notícia de que um dos nossos se foi. Das puladas do muro. Da nossa banda preferida. Das tardes pensativas. Das manhãs silenciosas. Das cartas nunca mandadas. Da palavra não dita.
Há certos momentos que não é preciso dizer o quanto se ama alguém. Está tão implícito, tão à mostra, é tão intenso em tudo que foi vivido... mas como eu queria ter dito! E nos arrependiríamos... o assunto acabaria. Constrangimento. Você se perguntaria como ter tanta intimidade e não se lembrar de mim. Seria Renan, Vítor ou Felipe? Não importava...
A despedida foi com aquele "vamos-marcar-pra-se-ver-de-novo" " vou-te-ligar!". Onde nós dois saberíamos que não iriamos nos ver mais. Deixe me pensar que você, provavelmente, nem havia lembrado do meu nome. Mas não confirme. Nesse caso, a dúvida é uma confortante felicidade.
- Quem é aquele homem?
- Não sei, achei que o conhecia e puxei assunto...
- E você o conhecia?
- Acho que não...
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Ela gostava das palavras.
Quando triste se trancava no quarto e se punha a escrever. Nem pensava muito. As palavras comandavam seus dedos. E ela gostava disso. Alguém a entendia. Certa vez a disseram que toda criatura viva, morre sozinha. Susto. Correu pra se esconder em seu refúgio. E chorou. Não queria ficar só. Seu caderno entre os braços ela abraçava fortemente. Ficou em paz. O abriu e leu tranquilamente: ali era seu mundo. Ela podia tudo. Voar, tomar sorvete invés de sopa na hora do jantar. O passarinho falou: estou grávido do mar. E pariu um rio. Ela riu. Sabia que aquilo era verdade.
Gostava de acordar cedo. Não para ver o sol nascer e sim para ver as nuvens. Elas estavam brancas, depois o céu esbranquiçava e as nuvens ficavam cinzas. O céu avermelhava. As nuvens rosavam. O céu ficava azul, e as nuvens brancas. E lá se ia o espetáculo com a espectadora fiel. Ela acreditava que assim era o ser humano, mudava de formas mas sempre ficava a essência. A evolução era vida.
Dizem que no leito de sua morte estava toda a família ao seu redor. Ela na cama inerte com a doença que a consumia. " Me deixem levantar..." Arrastando-se foi até o quintal onde ficava observando o céu. Se despediu, fechou os olhos, colocou a mão na barriga: estava grávida de uma flor. Ao redor do seu túmulo, nasceu um jardim.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
comunhão.
- vamos acabar por aqui enquanto ainda tenho lembranças boas nossas!
Ela o convenceu, de que pelo menos ele não a convenceria mais, nao naquele dia. E se foi.
Ela subiu em sua casa, pegou a chave a abriu o primeiro portão, com a chave ainda na mão abriu o segundo portão. Por acaso esqueceu de os fechar, voltou olhando para o chão. Fechou. Voltou correndo e subiu as escadas. Pegou a chave novamente que havia posto no bolso, abriu o portão e a porta, sentou no sofá e deixou os abertos. Chorou. Um choro sentido, de perda, de dor, sabia que tinha feito o certo, mas ela queria o certo? Chorou.
De supetão se levantou, ainda chorando. Entedera por que não os fechara. Abriu os portões rapidamente, e correu. Na parada ele estava sentado no meio fio, ele olhou pra cima e viu lágrimas em rosto. Se levantou e ficou na frente dela. Silêncio... A luz do primeiro post piscava e tocava raul seixas na barraquinha da frente. Passou o ônibus dele, e a nuvem tentava esconder a lua, que insistia em não perder um minuto do que acontecia lá embaixo.
- Eu também não sei viver sem você. - ele diz
ela não diz nada, não precisava. Palavras não eram necessárias. Beijo. Não apenas um beijo, mas uma comunhão, não queriam o certo: queriam um ao outro.
e isso nem o silêncio explicaria.