Mostrando postagens com marcador tempo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tempo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

passos de dança

:)A cada gesto que eu faço é como se estivesse doida para os outros. Mas é preciso. É preciso pegar o lápis e escrever, é preciso lavar os pratos, é preciso ter dinheiro em mãos, é preciso encarar a vida de leve como se toma uma cerveja todo dia. É preciso falar com determinada pessoa e fazer planos para amanhã. É preciso ter consciência de que você tá por você, que seja feliz ou tome no cu. É preciso beber pra poder enxergar o mundo maravilhoso em que você vive, e que você pode mudá-lo para se tornar feliz. Saber que faltando aula é mal pra você, já que está sempre de recuperação e não consegue acompanhar a turma. (alívio imediato) – sou hedonista.

Ter consciência de si.

Na parada:
Já me corrompi, não sei quem eu sou, não há segurança. Fé? Ter fé é tão difícil, porém não agora que estou anestesiada, mas tudo antes é um peso pra mim: meus CD’s, meus livros, meus amigos, minha fala, tudo é constrangedor e eu preciso falar com ele pra dizer que não vou, não posso ir, aliás nem seria bom, talvez, ou sincero ter que dividir a mesa com alguém que eu ando evitando. Mas ele é luz, é calor, é tudo o que há de sentimento e amor e dor.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

fragmentos.

"Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida minha face?"

Retrato - Cecília Meireles.

Eu estava no meio do paço alfândega, no meu ouvido soavam guitarras fortes que constratavam com a voz suave de Fernanda Takai, pessoas passavam apressadas. Elas riam, e eu olhava cada sorisso como se nunca tivesse visto um antes, olhava cada expressão, olhava nos olhos delas, profudamente, como se entendesse algo do visse, não entendia. As pessoas são extremamente comuns, acredite. E por ser tão comum é que são fantásticas. A cada sete anos nós trocamos de pele completamente. Apesar disso nossa essência é a mesma, o nosso verdadeiro eu. Como numa dança muda, que as pessoas não percebem por falta de som, as pessoas ali, estavam transcedendo, transfigurando, enternecendo tudo diante dos meus olhos. E eu ia me encantando com toda aquela (mu)dança preenchida de silêncio e vivacidade.Das minhas maiores essências, te apresento a mais pura e complexa, e assim, apresento a mim mesma. Por mais tempo que se conviva com alguém, sempre haverá algo intocável, inatingível. E esse é o segredo de se conviver tanto tempo com uma pessoa, sempre haverá algo a se descobrir, algo para se encantar.



domingo, 14 de dezembro de 2008

INUSITADO


Estava no carro, pela janela passavam quadros repetidos de plantações enormes e monocoloridas. E de repente, da monotonia fez-se encanto: ao som de vanessa da mata, todas começaram a dançar com o vento em festejo a vida.


sexta-feira, 11 de julho de 2008

o homem que lia o jornal de ontem

Quem passasse na Rua da Soledade, na frente da casa 53 pela manhã, com certeza viria dois jornais jogados no tapete da frente. Josefim tinha uns 30 anos, apesar dos cabelos grisalhos.Não saia de casa nem para comprar comida: mensalmente vinha um entregador com uma pequena sacola e deixava na frente de sua casa as comidas de necessidade básica, e por um buraquinho na porta ele passava as mãos magras com o dinheiro. Era de poucas palavras e considerado um 'louco-esquesito' pela vizinhança.

Sua fama vinha pela fato de sempre ler os jornais do dia anterior, passando a noite toda concentrado naquelas notícias deliciosamente atrasadas. Em uma de suas aparições pela rua para apanhar o jornal que o " pirralho-jornaleiro" havia posto longe de seu portão, um garoto lhe abordou:
- Seu Josefim, por que o senhor ler sempre o jornal de ontem?

- Por que você ler o jornal do dia?

- Pra saber as notícias do dia.

- Eu leio o jornal de ontem para saber as notícias de ontem, ora pois!


E entrava sem mais conversa. A cada dia a vizinhança se intrigava mais com os seus mistérios. Ele não tinha telefone, tv ou rádio! Seu único meio de comunicação era o tal jornal ultrapassado. Ele acreditava que as notícias velhas eram mais atraentes, pois podia rir delas, chorar delas ou até mesmo xingá-las e depois ler todas as desgraças, ir dormir tranqüilo. Afinal, as notícias já haviam passado e nada pudia se fazer para mudar. E assim passava seus dias sozinhos ansiando o jornal para pegá-lo um dia depois.

Certa vez, viu no jornal uma notícia de um homem que lia jornais. Surpresa. Ele havia morrido segundo a notícia. Com letras grandes e vermelhas o jornal falava de seu assassinato, quando fora pegar o jornal havia sido abordado por um moleque ladrão e morto pelo mesmo. Inquietou-se.

Sentado em sua poltrona de sempre, pensava no acontecido. Ele havia morrido? Como nunca havia percebido? A vida as vezes nos prega peças e em pleno dia se morre. O jornal caiu de sua mão.Levantou-se, foi até a janela, riu de sua própria vida, uma gargalhada leve de descanço. Foi até o guarda-roupa e pegou a arma, sentou-se na poltrona. A luz vermelha do pôr-do-sol o tentava, lhe mostrando o que fazer. E aos poucos o jornal de ontem no chão era tomado por um líquido da mesma cor do céu, o céu que trazia notícias novas.

sábado, 5 de julho de 2008

A Escolha

Sou impróprio para tudo.
O que serei da vida?
Respondam-me!
- se só posso responder -

A escolha desde agora me persegue
Devo decidir.
a Existência
despenca disso.

Tudo é impróprio.
Se é prazeroso,
não me vale a pena.
Se é valoroso
não me agrada.

Mundo cruel,
capitalismo podre,
- e pobres são meus poemas -
Sou jovem,
as rédias da existência
já me são concedidas.

Mas que tristeza infinda,
que dor melâncolica,
esta sociedade sem rumo...

O que farei?
A academia é meu destino?
Afirma o coração.
O tesouro está nas máquinas que dizem?
Acusam os neurônios.
Entre razões, emoções
em que confiar?

A eminência da escolha me atormenta,
sinto medo de perder vida.
- quero consolo de alguém... -
Quem será meu conselheiro?
Se habilitam vários...

Mas a calma chegará,
Entendo, falta tempo.
E a escolha?
o senhor milenar mostrará...

quinta-feira, 20 de março de 2008

O tempo passa.


Os humanos correm. As pessoas esquecem. As pessoas me esquecem. Quando a gente se encontrar na rua e eu puxar um assunto, mesmo que não lembre do meu rosto ou nome, converse como se fôssemos irmãos, que não precisam de nomes para se chamarem.


Ria dos velhos tempos esquecidos, entristeça com a notícia de que um dos nossos se foi. Das puladas do muro. Da nossa banda preferida. Das tardes pensativas. Das manhãs silenciosas. Das cartas nunca mandadas. Da palavra não dita.


Há certos momentos que não é preciso dizer o quanto se ama alguém. Está tão implícito, tão à mostra, é tão intenso em tudo que foi vivido... mas como eu queria ter dito! E nos arrependiríamos... o assunto acabaria. Constrangimento. Você se perguntaria como ter tanta intimidade e não se lembrar de mim. Seria Renan, Vítor ou Felipe? Não importava...


A despedida foi com aquele "vamos-marcar-pra-se-ver-de-novo" " vou-te-ligar!". Onde nós dois saberíamos que não iriamos nos ver mais. Deixe me pensar que você, provavelmente, nem havia lembrado do meu nome. Mas não confirme. Nesse caso, a dúvida é uma confortante felicidade.


- Quem é aquele homem?


- Não sei, achei que o conhecia e puxei assunto...

- E você o conhecia?


- Acho que não...


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

(des)esperando o esperado.





Era aquela trizteza cinza. Sem choro, sem conforto, mas não vazia. O rosto tranquilo mostrava a confusão que estava passando. Era uma tristeza tão profunda que as lágrimas (des)necessárias nem insistiam em aparecer no espetáculo. Olhos pretos. Inerte. Respiração calma. Nariz vermelho. De vez em quando puxava o ar com força: talvez pra ter certeza de que estava vivo, talvez por querer morrer dando seu último suspiro. A boca apesar de entre aberta não emitia som: o silêncio dizia tudo.

As pessoas eram marionetes onde as cordas que as cordenavam era o sangue em suas veias. A platéia era tão fétida quanto o cheiro do sangue grangrenando no seu pensamento.
Engraçado como a palavra desespero pode representar coisas diferentes. Des espero, não esperar nada. Desespero , pânico, agonia. No entanto, ele sentia os dois, permanecendo com seu rosto quase que rindo de si mesmo. A sua corda viva havia sido cortada e ele não entendia por que não havia morrido. A cor da vida era invisível e ele não fazia parte desse mundo, nem do outro. A cor ação nada fazia e ele ficava obedecendo o nada, quieto, mudo, cego. Os sonhos são reais enquanto duram, não poderíamos falar o mesmo sobre a vida?

Há certas situações que se surpreendemos com nós
mesmo. Seria o fim, o meio ou recomeço? Não importava. Virou de lado e foi dormir. Teve até sonhos.





Desenho by Pancreas

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

stop.

o mundo parou ou foi o automóvel?
( Andrade, Carlos Drummond )

_

férias papai! :D

_


Etou bem assim esses dias, down sem saber por quê. Nem me entendia, até hoje. A despedida de Ricardo, o cara vai pra minas gerais véi, QUE PUTO! :~ 5 ANOS DE ETERNIDADE.

" Mesmo que o tempo e distancia digam não. Mesmo esquecendo a canção: o que importa é ouvir a voz que vem do coração"

e o coração diz em choro: és inesquecível Rick. :~

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

comunhão.

Ela decidida. Ele tentava.
- vamos acabar por aqui enquanto ainda tenho lembranças boas nossas!
Ela o convenceu, de que pelo menos ele não a convenceria mais, nao naquele dia. E se foi.
Ela subiu em sua casa, pegou a chave a abriu o primeiro portão, com a chave ainda na mão abriu o segundo portão. Por acaso esqueceu de os fechar, voltou olhando para o chão. Fechou. Voltou correndo e subiu as escadas. Pegou a chave novamente que havia posto no bolso, abriu o portão e a porta, sentou no sofá e deixou os abertos. Chorou. Um choro sentido, de perda, de dor, sabia que tinha feito o certo, mas ela queria o certo? Chorou.
De supetão se levantou, ainda chorando. Entedera por que não os fechara. Abriu os portões rapidamente, e correu. Na parada ele estava sentado no meio fio, ele olhou pra cima e viu lágrimas em rosto. Se levantou e ficou na frente dela. Silêncio... A luz do primeiro post piscava e tocava raul seixas na barraquinha da frente. Passou o ônibus dele, e a nuvem tentava esconder a lua, que insistia em não perder um minuto do que acontecia lá embaixo.
- Eu também não sei viver sem você. - ele diz
ela não diz nada, não precisava. Palavras não eram necessárias. Beijo. Não apenas um beijo, mas uma comunhão, não queriam o certo: queriam um ao outro.
e isso nem o silêncio explicaria.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

- ô Bruna, eu tou agoniado.
- O que foi, Ph?
- Agora nesse exato momento tem um monte de gente morrendo de fome!
- e a gente pode fazer o que?
- exatamente. eu queria ser uma criança bem pequena, que não soubesse nada do mundo, só coisa boa!
- (...)
- e quando virarmos adulto vai pior ainda, ô.
- mas Ph, crianças pequenas não conseguem mudar nada.
- mas a gente tá aqui sem mudar nada.
- por enquanto.
- mas esse por enquanto é muito tempo.
- antes tarde do que nunca!
- mas o tempo perdido nunca vai voltar.
- é, você tá certo ...