quinta-feira, 8 de maio de 2008

sorriso amarelo.






" Eu não devo nada o dia, nem o dia deve a mim."


e pra sair do clichê, presa em mim. Foi o pior dos erros: reduzir-me a mim mesma.

Deve ter sido aquele capuccino...

instante-já

vai ser. tá sendo. é. era. passou.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O extraordinário de cada dia

Hoje eu senti tanto. Me senti tão mais-um. E fiquei tão triste. Porque eu descobri que meu amor não foi tão forte a ponto de ser transmitido além de mim. Eu fico feliz por 10 minutos, logo em seguida sinto uma angústia-felicidade que não se exprime em palavras. Sentir é tão humano, tão efêmero, que não sabemos o que é sentir quando não sentimos. E eu sinto tanto. Como um adulto?

domingo, 27 de abril de 2008

metafísica do fim de semana

Enquanto a luz da luminária
refletia nos olhos gris,
As palavras soavam caladas
sobrando uma melodia assim:

" O nada é uma palavra
esperando tradução"
E soava como um vício
difícil para a audição

A Coca-cola zero era uma pista:
zero o nada era
e sairia sem ser vista.

As risadas eram vazias
e de nada se preenchia
Mas se nada é tudo
o mundo é um absurdo
surdo e sem estradas

pois uma palavra esperando tradução:
é nada.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ela negava tudo.

Ela negava o nada. Negava até sua imagem ao espelho, e pra viver, se pintava. Sendo outra pessoa seria mais fácil do que ser ela mesma. A maquiagem era como uma máscara, e lhe protegia das pessoas incompreensivas. Ela era uma pessoa que não se compreendia, e sendo assim, era o não. Procurava o desconhecido. Tentava se encaixar no que ela dizia abstrato. Gostaria de viver não como uma pessoa comum, queria atingir o inatingível. E partia ela, para o infinito de seu infinito. Às vezes se perdia por lá e ficava no escuro por longos dias. Na sua compreensão ela se achava. Se achava na razão; logo enjoava e voltava para outro caminho, o sentimento não-compartilhado.

Mas, se pintava. E ficava diante do espelho tentando se achar. Quando não conseguia achar alma, se despedaçava. Não havia sentido a vida. Era uma viagem pra lugar nenhum. Negava o não. Mesmo em descompasso, ela andava. Caía, se levantava. E nessa dança ela queria atingir a perfeição. Conhecia os passos da dança, não conseguia executá-los. E como uma bailarina que dança num palco escuro, ela se apagava do mundo.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

- Boa tarde,

onde eu posso fazer minha identidade?

- Naquele galpão ali fora!

Várias cadeiras simetricamente postas, pessoas e TV. No balcão, duas mulheres fardadas organizavam o fato sem destoar do local. Viu minha certidão de nascimento e minhas fotos:

- Pegue uma ficha e aguarde. Meu número foi 8. Havia vários cartazes em " AVISO AO USUÁRIO"e "SEGUNDO O CÓDIGO PENAL". Todos aparentemente pacientes procuravam algo pra fazer. Poucos conversavam e por alguma coincidência estranha a maioria usava roupa amarela, eu destoava.


Um homem chegou e pediu para que os seguíssemos. Foram uma seção de corredores que passavam por espaços com outras mais pessoas a espero de algo que não sei. Em fila, fomos chamados pelo número da ficha e sentamos em cadeiras congregadas, tão perto: que o mais próximo lia claramente o meu caderno enquanto eu escrevia esta crônica. No menor mexer as cadeiras rangiam, o que nos fazia ficar o mais quieto possível para não ouvir o som irritante.


Depois de algum tempo passaram alguns por nós, se dirigindo a outra sala. Alguns tranquilos,
nervosos, inquietos, porém todos prontos para o incerto. Perguntaram meus dados e assinei uns três papéis incluindo termo de responsabilidade. Fui direcionada a outra sala de espera. O tec tec do computador e as vozes das pessoas que trabalhavam no local era ensurdecedor, se as cadeiras rangessem não seriam escutadas, por isso na sua insignificância elas se calaram.

cansei da cor/foto/cara desse blog.

sábado, 12 de abril de 2008

La lirlo de la lili'

Lirlas la lili'
En ombro de l' nokt'
Mallumas la glaci'
Kaj vekiĝas milda mort'

quarta-feira, 26 de março de 2008

Canto do Xangô.

Mas amar é sofrer
mas amar é morrer
de
dor.

Xangô, meu senhor. Saravá!
Ah, me faça morrer
mas me faça morrer
de
amar...

Save Xangô: my king, my lord
Save my Orixás
There are seven colors of love
Seven days to you cry...

quinta-feira, 20 de março de 2008

O tempo passa.


Os humanos correm. As pessoas esquecem. As pessoas me esquecem. Quando a gente se encontrar na rua e eu puxar um assunto, mesmo que não lembre do meu rosto ou nome, converse como se fôssemos irmãos, que não precisam de nomes para se chamarem.


Ria dos velhos tempos esquecidos, entristeça com a notícia de que um dos nossos se foi. Das puladas do muro. Da nossa banda preferida. Das tardes pensativas. Das manhãs silenciosas. Das cartas nunca mandadas. Da palavra não dita.


Há certos momentos que não é preciso dizer o quanto se ama alguém. Está tão implícito, tão à mostra, é tão intenso em tudo que foi vivido... mas como eu queria ter dito! E nos arrependiríamos... o assunto acabaria. Constrangimento. Você se perguntaria como ter tanta intimidade e não se lembrar de mim. Seria Renan, Vítor ou Felipe? Não importava...


A despedida foi com aquele "vamos-marcar-pra-se-ver-de-novo" " vou-te-ligar!". Onde nós dois saberíamos que não iriamos nos ver mais. Deixe me pensar que você, provavelmente, nem havia lembrado do meu nome. Mas não confirme. Nesse caso, a dúvida é uma confortante felicidade.


- Quem é aquele homem?


- Não sei, achei que o conhecia e puxei assunto...

- E você o conhecia?


- Acho que não...