quinta-feira, 8 de maio de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
O extraordinário de cada dia
domingo, 27 de abril de 2008
metafísica do fim de semana
refletia nos olhos gris,
As palavras soavam caladas
sobrando uma melodia assim:
" O nada é uma palavra
esperando tradução"
E soava como um vício
difícil para a audição
A Coca-cola zero era uma pista:
zero o nada era
e sairia sem ser vista.
As risadas eram vazias
e de nada se preenchia
Mas se nada é tudo
o mundo é um absurdo
surdo e sem estradas
pois uma palavra esperando tradução:
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Ela negava tudo.
Mas, se pintava. E ficava diante do espelho tentando se achar. Quando não conseguia achar alma, se despedaçava. Não havia sentido a vida. Era uma viagem pra lugar nenhum. Negava o não. Mesmo em descompasso, ela andava. Caía, se levantava. E nessa dança ela queria atingir a perfeição. Conhecia os passos da dança, não conseguia executá-los. E como uma bailarina que dança num palco escuro, ela se apagava do mundo.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
- Boa tarde,
onde eu posso fazer minha identidade?
- Naquele galpão ali fora!
Várias cadeiras simetricamente postas, pessoas e TV. No balcão, duas mulheres fardadas organizavam o fato sem destoar do local. Viu minha certidão de nascimento e minhas fotos:
- Pegue uma ficha e aguarde. Meu número foi 8. Havia vários cartazes em " AVISO AO USUÁRIO"e "SEGUNDO O CÓDIGO PENAL". Todos aparentemente pacientes procuravam algo pra fazer. Poucos conversavam e por alguma coincidência estranha a maioria usava roupa amarela, eu destoava.
Um homem chegou e pediu para que os seguíssemos. Foram uma seção de corredores que passavam por espaços com outras mais pessoas a espero de algo que não sei. Em fila, fomos chamados pelo número da ficha e sentamos em cadeiras congregadas, tão perto: que o mais próximo lia claramente o meu caderno enquanto eu escrevia esta crônica. No menor mexer as cadeiras rangiam, o que nos fazia ficar o mais quieto possível para não ouvir o som irritante.
Depois de algum tempo passaram alguns por nós, se dirigindo a outra sala. Alguns tranquilos,
nervosos, inquietos, porém todos prontos para o incerto. Perguntaram meus dados e assinei uns três papéis incluindo termo de responsabilidade. Fui direcionada a outra sala de espera. O tec tec do computador e as vozes das pessoas que trabalhavam no local era ensurdecedor, se as cadeiras rangessem não seriam escutadas, por isso na sua insignificância elas se calaram.
sábado, 12 de abril de 2008
quarta-feira, 26 de março de 2008
Canto do Xangô.
mas amar é morrer
de
dor.
Xangô, meu senhor. Saravá!
Ah, me faça morrer
mas me faça morrer
de
amar...
Save Xangô: my king, my lord
Save my Orixás
There are seven colors of love
Seven days to you cry...
quinta-feira, 20 de março de 2008
O tempo passa.
Os humanos correm. As pessoas esquecem. As pessoas me esquecem. Quando a gente se encontrar na rua e eu puxar um assunto, mesmo que não lembre do meu rosto ou nome, converse como se fôssemos irmãos, que não precisam de nomes para se chamarem.
Ria dos velhos tempos esquecidos, entristeça com a notícia de que um dos nossos se foi. Das puladas do muro. Da nossa banda preferida. Das tardes pensativas. Das manhãs silenciosas. Das cartas nunca mandadas. Da palavra não dita.
Há certos momentos que não é preciso dizer o quanto se ama alguém. Está tão implícito, tão à mostra, é tão intenso em tudo que foi vivido... mas como eu queria ter dito! E nos arrependiríamos... o assunto acabaria. Constrangimento. Você se perguntaria como ter tanta intimidade e não se lembrar de mim. Seria Renan, Vítor ou Felipe? Não importava...
A despedida foi com aquele "vamos-marcar-pra-se-ver-de-novo" " vou-te-ligar!". Onde nós dois saberíamos que não iriamos nos ver mais. Deixe me pensar que você, provavelmente, nem havia lembrado do meu nome. Mas não confirme. Nesse caso, a dúvida é uma confortante felicidade.
- Quem é aquele homem?
- Não sei, achei que o conhecia e puxei assunto...
- E você o conhecia?
- Acho que não...