terça-feira, 23 de dezembro de 2008

E meus dias não são mais que pó. Cinza das tuas piores horas, eu te passo e repasso em minha mente: onde estão as surpresas antigas? Foi você quem as matou. E agora, o que há para mim? Senão o tempo inesgotável, em que a torneira pinga lenta e ininterruptamente, na cozinha, nos banheiros, nos quartos, na sala. Na minha mente, não há mais nada. só o vazio, o eco dos teus passo, indo embora. Eternamente.

domingo, 14 de dezembro de 2008

INUSITADO


Estava no carro, pela janela passavam quadros repetidos de plantações enormes e monocoloridas. E de repente, da monotonia fez-se encanto: ao som de vanessa da mata, todas começaram a dançar com o vento em festejo a vida.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

descobertas matinais.


Eu não sei o que é o amor, sim, eu uso essa palavra, talvez eu a tenha a sentido, como poderei saber? Eu uso esta palavra por não haver outra melhor que explique essa imensidão que emana dos olhos, que se esconde no peito. Mas, às vezes, eu sinto que o que corre na minhas veias é muito, muito maior que o amor, mesmo sem saber ao certo o que é, mesmo sabendo que é tanto.

domingo, 7 de dezembro de 2008


a questão é: todos querem a paz, mas quando tiverem o que vão fazer com ela? A paz só vai exisitir quando tiver alguma coisa errada. Por exemplo, se um casal de namorado se dá muito bem, sempre que um fala, o outro aceita, SEMPRE: um vai tá sendo canalha de mandar demais, e outro está sendo canalha por se fazer de coitadinho e aceitar demais. A discussão faz parte do mundo, e o mundo em paz seria EXTREMAMENTE monótono. A discussão faz parte do homem, mas a guerra só dos irracionais.

30-09-06

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

conversa de msn.



Abaquar - Matuto do Alémar diz:
vc é que tem que sabe o que vc quer e fazer por onde
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
num importa para mim o que vc quer
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
desde que vc se dedique e busque e construa algo para vc
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
e isso é sobre a vida, meu bem
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
sobre tudo
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
se faça alguma coisa faça de verdade
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
é melhor fazer as coisas de verdade pq as coisas que vc faz levando com a barriga vez ou outra vai desmoronar pq naum tem base
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
sabe?
bruna diz:
mas e se tudo for uma ilusão?
bruna diz:
voce achar que é verdade, se doar
bruna diz:
e cair?
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
vc nunca pode se dar por inteiro, pq vc só pode dar o que vc tem... vc acha que se conhece por inteira para se doar por inteira?
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é que a tecnologia é assim, faz do distante: perto. E como as palavras chegam longe, esses conjuntos de letras formando frases atravessaram o atlântico e chegaram aqui, iluminando tudo.

sinto tanto tua falta, irmão.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

mudança no script


Naqueles olhos de piscina cristalizado, vidrado, parado, ele ainda pode ver a alma acolhedora que partira. No peito dela uma flor vermelha, com o centro um ponto pequeno preto metálico, ia se abrindo. Enquanto o corpo avermelhava por fora, empalidecia por dentro. Ele, com os olhos fundos e sem lágrimas, era paralisado pelo sentimento que lhe invadia, uma dor imensa que só quem realmente ama sabe o que significa. Enquanto o corpo empalidecia por fora, avermelhada por dentro.

A partir daquele dia, não haveria mais dia para ela, não haveria mais sentido para ele. Enquanto a morte lhe molhava tentando lhe dizer: " Levante-se, sua história não acaba aqui!" O líquido amarelado na garganta descia queimando. "Da minha história só sei eu!" E a cada cerveja tomada ele ficava mais sóbrio, mais sério.

O céu estava tão cheio de estrelas como ele nunca havia visto, ou seria seus olhos embaçados que via as luzes dos prédios, carros e postes pequenas lá da cobertura? Lá só o vento lhe dava os conselhos certos e em súbita conversa muda as palavras soavam só: " O que te prende aqui? O que te faz continuar?". Daria um passo a frente, para eternidade. Não podia esperar mais... E que não esperasse!

Naqueles olhos de piscina cristalizado, vidrado, mas não parado, ele ainda pode ver a alma acolhedora que não partira. No peito dela a flor já secara. E outra flor se formava lá embaixo ao redor de um corpo sem valor, e ao redor dele, vários corpos anônimos se amontoavam para ver o fim do espetáculo. Atrasados, não viram a apresentação toda, mas suas caras de espanto demostravam que se vissem a história inteira teriam gostado.
- Tão novo o rapaz...
- Por que tal desventura?
- Coitados da família!
- Que azar...
- Morreu de quê?
- Dizem que morreu de amor.

domingo, 30 de novembro de 2008

Kaiak Ventura




E em uma manhã qualquer ela decidiu. Sim, havia decidido há tempos, mas, ah, como ela era covarde! Tentaria convencê-lo da sua decisão, mas não era convincente ou talvez ele fosse teimoso demais. " Você não me liga, não vem me ver mais, você acha que realmente me ama?" E a resposta dele era sempre a mesma: Sim.Incondicionalmente. Porém ela não desistia, reclamava de cada ato dele e odiava, principalmente, aquele perfume que, por mais que ela falasse, ele nunca deixava de usar. Kaiak ventura. Foi por esse perfume que ela se apaixonou, e por ele que ela agora sentia mal-estar.

Se conheceram numa festa, coisa normal, como todos os casais comuns. Logo namoraram, riram, choraram, cresceram, foram ao cinema de mãos dadas, e, como toda história de amor, estavam chegando ao fim. Marcaram para se ver na sorveteria, às 14h. Ele estava decidido, ela confusa. Ela era um pouco impulsiva e colocava a culpa no horóscopo. Queria ser rápida e direta. Ela abriu a boca pra falar, mas, ah, como ela era covarde! Se calou, chorou. Ele a abraçou. E, como sempre, disse: sim? Não, não dessa vez. Não sei se foi porque a tarde estava com cheiro de morango ou por que o sol brilhava forte, mas o fato foi que pela primeira vez ele não fez como sempre. De tanto ela tentar o convencer que ele não a amava mais, ela conseguiu. " Você estava certa: isso não é amor. Você teve muita paciência comigo, obrigado. E desculpa ter atrapalhado a sua vida." As lágrimas cessaram.

Às vezes, é preciso tropeçar para saber onde está o seu alicerce. Às vezes, o passado é uma lembrança tão linda que seria um erro confudi-lo com o presente ou futuro, e o mais sensato é guardá-lo. Às vezes, somente às vezes, o sempre nem sempre é sempre e a surpresa nos bate na porta, e não estávamos a esperando, paralisamos. Poderia ter falado algo? Poderia ter sido diferente?

Ela foi andando para casa pensando naquele rapaz de olhos de vagalume, tão encantador. Teria sido o contidiano que a cegou ou teria sido aquele cappuccino? Talvez ela tenha se arrependido, talvez ela tenha ficado tranqüila. O que se sabe é que até hoje ela treme ao sentir o cheiro do kaiak ventura.

sábado, 29 de novembro de 2008

caê-em-canto

" Lembro com muito gosto o modo como ela se referia a ele. Pelo menos ela o fez uma vez e isso ficou marcado muito fundo, dizendo: caetano, venha ver o preto que você gosta. Isso de dizer o preto, sorrindo ternamente como ela o fazia, o fez, tinha, teve, tem, um sabor esquisito, que intensificava o encanto da arte e da personalidade do moço no vídeo.

Era como se se somasse àquilo que eu via e ouvia, uma outra graça, ou como se a confirmação da realidade daquela pessoa, dando-se assim na forma de uma benção, adensasse sua beleza.

Eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente. Era evidentemente um grande acontecimento a aparição dessa pessoa, e minha mãe festejava comigo a descoberta." do livro "Verdade Tropical" de Caetano Veloso



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caê sempre encantando.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

" SOBRE ESCREVER

Às vezes tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que, ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais sendo inconsciente, eu antes não sabia que sabia. "

C.L.

sábado, 22 de novembro de 2008

o que francisco me causa.

É um livro e um blog. Para Francisco, (http://www.parafrancisco.blogspot.com/). Francisco nasce dois meses após a morte súbita do pai, e a mãe cria o blog para desabafar e manter a imagem de Gui, o pai, viva para o filho.

“Que absurdo as coisas durarem mais do que as pessoas”.
É difícil manter as pernas firmes, quando a realidade nos aparece tão clara. Tudo é tão vivo. Como pode simplesmente não existir mais?
E é tudo, tudo verdade. Engraçado como nossa vida é apenas uma história qualquer pra quem olha de fora. Se a gente contar, as pessoas pensam que é ficção.


- e assim fico pensando o que é isso que sinto no meu peito, que é tanto que nem cabe, mas que não consigo passar completamente.

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desculpe, eu precisava mudar esse blog, ele estava muito pálido.
é preciso de cor, é preciso de sangue, é preciso amor.

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Luz, LUz, LUZ , L U C A S, obrigada por ter me mostrado esse blog, obrigada por fazer parte da minha vida.