Ela o viu ali sentado, sozinho. Pousou ao seu lado, sem o menor ruído. Pôs-se a observar. Desenhava coisas que ela não conseguia entender, mas também não perguntava. Apenas observava.
Ele gostava daqueles olhos verdes, atentos, a tentar decifrar o que talvez só os dele conseguissem ver.
Complexo demais.
Que nada.
Tão simples que ninguém conseguia enxergar.
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Ora pois!
Não quizera dizer, estava dito!
Cabia ao leitor interpretar.
Mas isso não vem ao caso. Voltemos aos olhos verdes.
Sem dizer palavra alguma, conversaram por horas. Aquele olhar ficaria na mente por muito tempo. Parecia entender seu desespero, sua dor. E estaria sempre lá, para ouvir, acalmar, confortar.
Ele sentia algo diferente. Um gosto, um cheiro, um sei lá o que. Era estranho e bom. Como um arrepio, daqueles que se sente quando se está em perigo, ou quando o carro desce de vez o viaduto. E era constante. Durava tanto quanto os verdes ímãs atraíssem os seus olhos.
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E não foram os lábios o que desejou.
Tampouco os seios, as coxas.
Queria aqueles olhos,
Aquele convite a um universo até então desconhecido.
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Sabia que acordaria, então simplesmente sonhou um pouco mais.
E mais.
Mas era hora de partir.
As pernas pareciam não concordar, mas ela precisava ir.
E tão silenciosa quanto ao chegar, se foi.
Sua pequena utopia nunca deixou de o ser.
E a alimentava a cada encontro.
Um forte laço mantinha viva essa vontade.
Apenas a vontade. Tornar real estragaria a brincadeira.
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