A cortina púrpura dançava suavemente, como uma virgem num vestido de seda, embalada pelo vento que soprava da janela do quarto. Somente o ulular incessável da noite se fazia ouvir; o frio que soprava por cada fresta. Toda a casa respirava em completo silêncio. Mas Lia continuava de olhos abertos no escuro, as curvas do corpo docemente abraçadas pelo cobertor. Abraçava a si mesma, tentando em vão abrandar o frio dentro de si. Ela ainda sentia o cheiro da morte.
Talvez o tempo apagasse de sua memória em alguns anos o horror do que fizera. Mas, até lá, as marcas escuras em torno de seus olhos apenas devorariam a puerilidade de seu rosto como um tumor. As sombras dançantes projetadas pela lua e pela virgem de seda nas paredes atiçavam seus olhos a rever cada detalhe do que se passara. Já era suficientemente ruim para ela ter sido impelida a fazer o que fizera, mas era terrível ter que reviver tudo todas as noites ao fechar os olhos. Todas as noites. Lia apenas esperava as horas passarem, esperava o céu clarear em tons de rosa e laranja, até que finalmente se permitia descansar envolvida pelo abraço do sol.
Texto escrito por PH.
domingo, 18 de abril de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Passos. Atos. Arte. Vida.
Passos.
Se ao longo de minha vida tiver mudado a vida de pelo menos uma pessoa, tudo terá valido a pena. Amigos, amores, alunos, leitores, ou mesmo desconhecidos. Devo ensinar com meus atos, encantar com meus gestos, transformar com meus passos, ajudar, ainda que apenas com um sorriso, se somente isso estiver ao meu alcance. Se eu puder mudar um pedacinho do mundo a cada instante, nenhum momento terá sido vão.
Atos.
Num fim de tarde, voltando para casa depois do trabalho, por uma sucessão de acontecimentos, perdi alguém muito importante. Então me vi tão sozinho, era uma ilha vazia encerrada no escuro. Bastou, no entanto, um sorriso caloroso e um entusiástico "boa tarde" da cobradora do ônibus para que minha angústia se retraísse, aliviando minha dor pelo resto do trajeto. Comecei a observá-la. Percebi que seu cumprimento, juntamente com seu sorriso tão intenso, se repetia a cada passageiro que entrava, e mesmo um simples sorriso de cada desconhecido já era retorno suficiente para que ela continuasse seu ato de distribuir felicidade. Talvez ela nem tivesse noção do poder dessa pequena ação, mas com isso ela acabou se eternizando em minha memória, se eternizando nessas palavras aqui escritas.
Arte.
Quão inspiradora é a música! É fantástica sua capacidade de injetar tantas tonalidades de sentimento em nós. Por vezes nos enche de nós mesmos; por outras, nos faz sentir tão ínfimos diante de tudo. Às vezes se agarra à nossa memória e nos arrasta de volta ao passado. Vemos tudo que já se foi com outros olhos. E a música acaba por nos fazer chorar nos momentos nostálgicos, quando nos damos conta de que tudo que passou não voltará jamais. Uma música pode influenciar decisões, mudar a história. Assim como um filme, um livro, uma palavra.
Vida.
Nossos atos, nossos projetos, nossas criações podem sim nos eternizar em alguém. Acredite em seu sorriso, em seus abraços, em seu amor. Permita-se chorar quando bate a saudade, abraçar calorosamente nos reencontros, beijar com afeto, se o amor é intenso, soluçar quando é hora de ir embora. E, no fim, saberemos que de fato vivemos, e permaneceremos nos corações dos que foram tocados por nós.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
passos de dança
:)A cada gesto que eu faço é como se estivesse doida para os outros. Mas é preciso. É preciso pegar o lápis e escrever, é preciso lavar os pratos, é preciso ter dinheiro em mãos, é preciso encarar a vida de leve como se toma uma cerveja todo dia. É preciso falar com determinada pessoa e fazer planos para amanhã. É preciso ter consciência de que você tá por você, que seja feliz ou tome no cu. É preciso beber pra poder enxergar o mundo maravilhoso em que você vive, e que você pode mudá-lo para se tornar feliz. Saber que faltando aula é mal pra você, já que está sempre de recuperação e não consegue acompanhar a turma. (alívio imediato) – sou hedonista.
Ter consciência de si.
Na parada:
Já me corrompi, não sei quem eu sou, não há segurança. Fé? Ter fé é tão difícil, porém não agora que estou anestesiada, mas tudo antes é um peso pra mim: meus CD’s, meus livros, meus amigos, minha fala, tudo é constrangedor e eu preciso falar com ele pra dizer que não vou, não posso ir, aliás nem seria bom, talvez, ou sincero ter que dividir a mesa com alguém que eu ando evitando. Mas ele é luz, é calor, é tudo o que há de sentimento e amor e dor.
Ter consciência de si.
Na parada:
Já me corrompi, não sei quem eu sou, não há segurança. Fé? Ter fé é tão difícil, porém não agora que estou anestesiada, mas tudo antes é um peso pra mim: meus CD’s, meus livros, meus amigos, minha fala, tudo é constrangedor e eu preciso falar com ele pra dizer que não vou, não posso ir, aliás nem seria bom, talvez, ou sincero ter que dividir a mesa com alguém que eu ando evitando. Mas ele é luz, é calor, é tudo o que há de sentimento e amor e dor.
Lembranças:
ESTRANHEZA,
eunaosoudasuarua,
janela,
saudade,
tempo,
umeupramim,
vida
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
teatrovida - ideias

tantas lembranças boas agora restauradas pelos sentidos.
seríamos eu e você? ou somente um novo eu?
-pessoas, várias cores,
único sentido
parece que sempre a gente tem que registrar os fatos. re-lembrar a vida, o sentimento, a força de vontade (de que ainda tem!), a frase de Drummond: "somos todos irmãos"- ilusão?
A vida se registra nos filmes, nos livros, na paisagem bem observada e sentida. Que vida, Deus! Espero compartilhar minha alegria agora pra quem precisa de conforto, pra quem precisa de uma palavra de carinho; uma força e, falar que o amor é tudo (esse sentimento que nos faz rir, chorar, fazer besteiras ou ainda crescer um ao outro e se fortificar mais).
(fica uma marca ainda no humano, que tem que lutar dia após dia, hora após hora o seu amor-de-dentro.* compreensão ou não do passado que é desmascarado na Pessoa atual;
ilusão: antes de morrer vive-se.
Apesar de.)
*sobre um amor-amigo longe no tempo: "Sentimos perfeitamente que estamos falando de dois outros sujeitos, que por sinal já faleceram – e eram nós. No amor isso é mais pungente. De onde concluireis comigo que o melhor é não amar, porém aqui, para dar fim a tanta amarga tolice, aqui e ora vos direi a frase antiga: que é melhor não viver." Rubem Braga
Lembranças:
-q,
amizade,
janela,
teatro,
túnel do tempo.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
De vestido colorido ela vai na praia com o seu menino que também cata lixo. Latas, amassadas por gente que bebe o líquido; ela se satisfaz em ser - tu és? Ela é o esforço, o ganha-pão, a identidade do povo, meu coração.
que pode ser de pedra, mas quebra.
- Gente que é gente não sabe o que nóis passa. Não sabe. Não compreende o que nóis quer. Ó se esse mundo fosse de graça! Teríamos o que bem quiser...
que pode ser de pedra, mas quebra.
- Gente que é gente não sabe o que nóis passa. Não sabe. Não compreende o que nóis quer. Ó se esse mundo fosse de graça! Teríamos o que bem quiser...
Lembranças:
CLICHÊ,
ESTRANHEZA,
eunaosoudasuarua,
necessidade,
vida
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
macabéa
ela chegara num estado que não sentia sede de nada. nem sabia o que queria, coitada.
não sentia que estaria vivendo. não sabia dar nem receber amor.
e um dia foi atropelada.
sem dor,
só alma
não sentia que estaria vivendo. não sabia dar nem receber amor.
e um dia foi atropelada.
sem dor,
só alma
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
fragmentos.
"Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida minha face?"
Retrato - Cecília Meireles.
Eu estava no meio do paço alfândega, no meu ouvido soavam guitarras fortes que constratavam com a voz suave de Fernanda Takai, pessoas passavam apressadas. Elas riam, e eu olhava cada sorisso como se nunca tivesse visto um antes, olhava cada expressão, olhava nos olhos delas, profudamente, como se entendesse algo do visse, não entendia. As pessoas são extremamente comuns, acredite. E por ser tão comum é que são fantásticas. A cada sete anos nós trocamos de pele completamente. Apesar disso nossa essência é a mesma, o nosso verdadeiro eu. Como numa dança muda, que as pessoas não percebem por falta de som, as pessoas ali, estavam transcedendo, transfigurando, enternecendo tudo diante dos meus olhos. E eu ia me encantando com toda aquela (mu)dança preenchida de silêncio e vivacidade.Das minhas maiores essências, te apresento a mais pura e complexa, e assim, apresento a mim mesma. Por mais tempo que se conviva com alguém, sempre haverá algo intocável, inatingível. E esse é o segredo de se conviver tanto tempo com uma pessoa, sempre haverá algo a se descobrir, algo para se encantar.
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida minha face?"
Retrato - Cecília Meireles.
Eu estava no meio do paço alfândega, no meu ouvido soavam guitarras fortes que constratavam com a voz suave de Fernanda Takai, pessoas passavam apressadas. Elas riam, e eu olhava cada sorisso como se nunca tivesse visto um antes, olhava cada expressão, olhava nos olhos delas, profudamente, como se entendesse algo do visse, não entendia. As pessoas são extremamente comuns, acredite. E por ser tão comum é que são fantásticas. A cada sete anos nós trocamos de pele completamente. Apesar disso nossa essência é a mesma, o nosso verdadeiro eu. Como numa dança muda, que as pessoas não percebem por falta de som, as pessoas ali, estavam transcedendo, transfigurando, enternecendo tudo diante dos meus olhos. E eu ia me encantando com toda aquela (mu)dança preenchida de silêncio e vivacidade.Das minhas maiores essências, te apresento a mais pura e complexa, e assim, apresento a mim mesma. Por mais tempo que se conviva com alguém, sempre haverá algo intocável, inatingível. E esse é o segredo de se conviver tanto tempo com uma pessoa, sempre haverá algo a se descobrir, algo para se encantar.
Lembranças:
janela,
necessidade,
PENSAMENTOS,
saudade,
tempo,
vida
sábado, 17 de janeiro de 2009
SOBRE ESCREVER [4]
"Escrever é meu respiro, é quando tomo o ar para novos vôos – por mais rápido que voe, o avião parece flutuar entre as nuvens, essa ilusão de tempo e de espaço que nos dá a dica: a vida é tal e qual.
A vida é provocação. Se um dia me grita que é curta, manda em seguida a mensagem de que é preciso saber esperar. Avança e recua, oferece e retira, para nos medir, não a força, mas a capacidade de brincar."
Cristiana Guerra
"Escrever é meu respiro, é quando tomo o ar para novos vôos – por mais rápido que voe, o avião parece flutuar entre as nuvens, essa ilusão de tempo e de espaço que nos dá a dica: a vida é tal e qual.
A vida é provocação. Se um dia me grita que é curta, manda em seguida a mensagem de que é preciso saber esperar. Avança e recua, oferece e retira, para nos medir, não a força, mas a capacidade de brincar."
Cristiana Guerra
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Um borrão sobre o papel
Eu escrevo o que não se pode calar. Escrevo o que se diz, o que se ouve, e também o que se silencia. Escrevo o que não se pode dizer, e o que a imaginação não diz. Escrevo e tudo o que se materializa para fora da minha mente ganha o mundo, vai além de mim e de si. Escrevo e tenho espanto do que eu escrevi. Horrores e maravilhas que pintei na minha frente. Apago, mas se pode apagar o que já se estampou na veia do mundo? Está tudo tatuado aqui: no avesso da minha pele, onde o sangue que emana das agulhas só retorna para mim. É a força pela fraqueza. Porque o que escrevi, rejeitado ou não, já é maior do que eu e meu silêncio de moralizações, conveniências, senso comum, esteticismos banais. O que eu escrevi está vivo e arde, e por mais que eu tente apagar me encara de frente e diz: dôo. E de doer eu rasgo a pele e os papéis. Mas o escrito não morre.
Eu escrevo o que não se pode calar. Escrevo o que se diz, o que se ouve, e também o que se silencia. Escrevo o que não se pode dizer, e o que a imaginação não diz. Escrevo e tudo o que se materializa para fora da minha mente ganha o mundo, vai além de mim e de si. Escrevo e tenho espanto do que eu escrevi. Horrores e maravilhas que pintei na minha frente. Apago, mas se pode apagar o que já se estampou na veia do mundo? Está tudo tatuado aqui: no avesso da minha pele, onde o sangue que emana das agulhas só retorna para mim. É a força pela fraqueza. Porque o que escrevi, rejeitado ou não, já é maior do que eu e meu silêncio de moralizações, conveniências, senso comum, esteticismos banais. O que eu escrevi está vivo e arde, e por mais que eu tente apagar me encara de frente e diz: dôo. E de doer eu rasgo a pele e os papéis. Mas o escrito não morre.
domingo, 11 de janeiro de 2009
SOBRE ESCREVER [2]
'Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega?" Caio Fernando Abreu.
'Então vai, remexe fundo, como diz um poeta gaúcho, Gabriel de Britto Velho, "apaga o cigarro no peito / diz pra ti o que não gostas de ouvir / diz tudo". Isso é escrever. Tira sangue com as unhas. E não importa a forma, não importa a "função social", nem nada, não importa que, a princípio, seja apenas uma espécie de auto-exorcismo. Mas tem que sangrar a-bun-dan-te-men-te. Você não está com medo dessa entrega?" Caio Fernando Abreu.
Lembranças:
janela,
necessidade,
SÓ PRA MUDAR OS ARES
sábado, 3 de janeiro de 2009
pela possibilidade de ser pintada.
mateus diz:
"Esta é a vida vista pela vida. Posso não ter sentido mas é a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa."
mateus diz:
Clarice
mateus diz:
eu acho o ser humano um ser fantástico
mateus diz:
não pelo que ele faz, mas pelo poder que ele tem de fazer e sentir
mateus diz:
e pensar
mateus diz:
tipo:
mateus diz:
"não importa com quem você se deite, que você se deleite seja com quem for; apenas te peço que aceite o meu estranho amor"
mateus diz:
caralho, eu acho que isso é amor sabe
mateus diz:
você quer estar com a pessoa independente de qualquer outra coisa
mateus diz:
tipo, o amor dele vai além da carne, sabe
_
é Mateus, finalmente concordamos em alguma coisa em nossas conversas, ou quase isso.
é Mateus, finalmente concordamos em alguma coisa em nossas conversas, ou quase isso.
O AMOR É I N F I N I D A D E.
e acima de tudo é vivo e pulsa.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
todo o sentimento
E que venha 2009, cheio de risos, choros, saudades, estresses, vestibular, abraços, viagens, risos, choros e saudades.
Não vou falar de 2008, foi um ano deveras chato e comprido, tão comprido que teve 366 dias. ô cara implicante. Só falo de 2009, e que venha 2009, e que venha essa saudade.
toda a felicidade.
Lembranças:
-q,
CLICHÊ,
janela,
necessidade,
SÓ PRA MUDAR OS ARES,
vida
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
E meus dias não são mais que pó. Cinza das tuas piores horas, eu te passo e repasso em minha mente: onde estão as surpresas antigas? Foi você quem as matou. E agora, o que há para mim? Senão o tempo inesgotável, em que a torneira pinga lenta e ininterruptamente, na cozinha, nos banheiros, nos quartos, na sala. Na minha mente, não há mais nada. só o vazio, o eco dos teus passo, indo embora. Eternamente.
domingo, 14 de dezembro de 2008
INUSITADO
Estava no carro, pela janela passavam quadros repetidos de plantações enormes e monocoloridas. E de repente, da monotonia fez-se encanto: ao som de vanessa da mata, todas começaram a dançar com o vento em festejo a vida.
Lembranças:
-q,
ESTRANHEZA,
SÓ PRA MUDAR OS ARES,
tempo
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
descobertas matinais.
Eu não sei o que é o amor, sim, eu uso essa palavra, talvez eu a tenha a sentido, como poderei saber? Eu uso esta palavra por não haver outra melhor que explique essa imensidão que emana dos olhos, que se esconde no peito. Mas, às vezes, eu sinto que o que corre na minhas veias é muito, muito maior que o amor, mesmo sem saber ao certo o que é, mesmo sabendo que é tanto.
Lembranças:
ESTRANHEZA,
necessidade,
PENSAMENTOS,
saudade
domingo, 7 de dezembro de 2008
a questão é: todos querem a paz, mas quando tiverem o que vão fazer com ela? A paz só vai exisitir quando tiver alguma coisa errada. Por exemplo, se um casal de namorado se dá muito bem, sempre que um fala, o outro aceita, SEMPRE: um vai tá sendo canalha de mandar demais, e outro está sendo canalha por se fazer de coitadinho e aceitar demais. A discussão faz parte do mundo, e o mundo em paz seria EXTREMAMENTE monótono. A discussão faz parte do homem, mas a guerra só dos irracionais.
30-09-06
Lembranças:
ESTRANHEZA,
PENSAMENTOS,
túnel do tempo.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
conversa de msn.
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
vc é que tem que sabe o que vc quer e fazer por onde
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
num importa para mim o que vc quer
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
desde que vc se dedique e busque e construa algo para vc
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
e isso é sobre a vida, meu bem
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
sobre tudo
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
se faça alguma coisa faça de verdade
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
é melhor fazer as coisas de verdade pq as coisas que vc faz levando com a barriga vez ou outra vai desmoronar pq naum tem base
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
sabe?
bruna diz:
mas e se tudo for uma ilusão?
bruna diz:
voce achar que é verdade, se doar
bruna diz:
e cair?
se faça alguma coisa faça de verdade
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
é melhor fazer as coisas de verdade pq as coisas que vc faz levando com a barriga vez ou outra vai desmoronar pq naum tem base
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
sabe?
bruna diz:
mas e se tudo for uma ilusão?
bruna diz:
voce achar que é verdade, se doar
bruna diz:
e cair?
Abaquar - Matuto do Alémar diz:
vc nunca pode se dar por inteiro, pq vc só pode dar o que vc tem... vc acha que se conhece por inteira para se doar por inteira?
_
vc nunca pode se dar por inteiro, pq vc só pode dar o que vc tem... vc acha que se conhece por inteira para se doar por inteira?
_
é que a tecnologia é assim, faz do distante: perto. E como as palavras chegam longe, esses conjuntos de letras formando frases atravessaram o atlântico e chegaram aqui, iluminando tudo.
sinto tanto tua falta, irmão.
Lembranças:
amor,
janela,
necessidade,
saudade,
vida
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
mudança no script
Naqueles olhos de piscina cristalizado, vidrado, parado, ele ainda pode ver a alma acolhedora que partira. No peito dela uma flor vermelha, com o centro um ponto pequeno preto metálico, ia se abrindo. Enquanto o corpo avermelhava por fora, empalidecia por dentro. Ele, com os olhos fundos e sem lágrimas, era paralisado pelo sentimento que lhe invadia, uma dor imensa que só quem realmente ama sabe o que significa. Enquanto o corpo empalidecia por fora, avermelhada por dentro.
A partir daquele dia, não haveria mais dia para ela, não haveria mais sentido para ele. Enquanto a morte lhe molhava tentando lhe dizer: " Levante-se, sua história não acaba aqui!" O líquido amarelado na garganta descia queimando. "Da minha história só sei eu!" E a cada cerveja tomada ele ficava mais sóbrio, mais sério.
O céu estava tão cheio de estrelas como ele nunca havia visto, ou seria seus olhos embaçados que via as luzes dos prédios, carros e postes pequenas lá da cobertura? Lá só o vento lhe dava os conselhos certos e em súbita conversa muda as palavras soavam só: " O que te prende aqui? O que te faz continuar?". Daria um passo a frente, para eternidade. Não podia esperar mais... E que não esperasse!
Naqueles olhos de piscina cristalizado, vidrado, mas não parado, ele ainda pode ver a alma acolhedora que não partira. No peito dela a flor já secara. E outra flor se formava lá embaixo ao redor de um corpo sem valor, e ao redor dele, vários corpos anônimos se amontoavam para ver o fim do espetáculo. Atrasados, não viram a apresentação toda, mas suas caras de espanto demostravam que se vissem a história inteira teriam gostado.
- Tão novo o rapaz...
- Por que tal desventura?
- Coitados da família!
- Que azar...
- Morreu de quê?
- Dizem que morreu de amor.
domingo, 30 de novembro de 2008
Kaiak Ventura
E em uma manhã qualquer ela decidiu. Sim, havia decidido há tempos, mas, ah, como ela era covarde! Tentaria convencê-lo da sua decisão, mas não era convincente ou talvez ele fosse teimoso demais. " Você não me liga, não vem me ver mais, você acha que realmente me ama?" E a resposta dele era sempre a mesma: Sim.Incondicionalmente. Porém ela não desistia, reclamava de cada ato dele e odiava, principalmente, aquele perfume que, por mais que ela falasse, ele nunca deixava de usar. Kaiak ventura. Foi por esse perfume que ela se apaixonou, e por ele que ela agora sentia mal-estar.
Se conheceram numa festa, coisa normal, como todos os casais comuns. Logo namoraram, riram, choraram, cresceram, foram ao cinema de mãos dadas, e, como toda história de amor, estavam chegando ao fim. Marcaram para se ver na sorveteria, às 14h. Ele estava decidido, ela confusa. Ela era um pouco impulsiva e colocava a culpa no horóscopo. Queria ser rápida e direta. Ela abriu a boca pra falar, mas, ah, como ela era covarde! Se calou, chorou. Ele a abraçou. E, como sempre, disse: sim? Não, não dessa vez. Não sei se foi porque a tarde estava com cheiro de morango ou por que o sol brilhava forte, mas o fato foi que pela primeira vez ele não fez como sempre. De tanto ela tentar o convencer que ele não a amava mais, ela conseguiu. " Você estava certa: isso não é amor. Você teve muita paciência comigo, obrigado. E desculpa ter atrapalhado a sua vida." As lágrimas cessaram.
Às vezes, é preciso tropeçar para saber onde está o seu alicerce. Às vezes, o passado é uma lembrança tão linda que seria um erro confudi-lo com o presente ou futuro, e o mais sensato é guardá-lo. Às vezes, somente às vezes, o sempre nem sempre é sempre e a surpresa nos bate na porta, e não estávamos a esperando, paralisamos. Poderia ter falado algo? Poderia ter sido diferente?
Ela foi andando para casa pensando naquele rapaz de olhos de vagalume, tão encantador. Teria sido o contidiano que a cegou ou teria sido aquele cappuccino? Talvez ela tenha se arrependido, talvez ela tenha ficado tranqüila. O que se sabe é que até hoje ela treme ao sentir o cheiro do kaiak ventura.
sábado, 29 de novembro de 2008
caê-em-canto
" Lembro com muito gosto o modo como ela se referia a ele. Pelo menos ela o fez uma vez e isso ficou marcado muito fundo, dizendo: caetano, venha ver o preto que você gosta. Isso de dizer o preto, sorrindo ternamente como ela o fazia, o fez, tinha, teve, tem, um sabor esquisito, que intensificava o encanto da arte e da personalidade do moço no vídeo.
Era como se se somasse àquilo que eu via e ouvia, uma outra graça, ou como se a confirmação da realidade daquela pessoa, dando-se assim na forma de uma benção, adensasse sua beleza.
Eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente. Era evidentemente um grande acontecimento a aparição dessa pessoa, e minha mãe festejava comigo a descoberta." do livro "Verdade Tropical" de Caetano Veloso
_
caê sempre encantando.
Era como se se somasse àquilo que eu via e ouvia, uma outra graça, ou como se a confirmação da realidade daquela pessoa, dando-se assim na forma de uma benção, adensasse sua beleza.
Eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente. Era evidentemente um grande acontecimento a aparição dessa pessoa, e minha mãe festejava comigo a descoberta." do livro "Verdade Tropical" de Caetano Veloso
_
caê sempre encantando.
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